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Mães: nós temos escolha?

09/05/2016

Domingo nós comemoramos o dia das mães e muitas mensagens emocionantes, impactantes e fortalecedoras foram compartilhadas em todas as redes sociais.

Relembramos e homenageamos essas mulheres que sacrificam muito de suas vidas para atender as necessidades dos filhos e realizar o que acreditam ser importante.

 

Alguns vídeos mostravam mães tentando voltar ao mercado de trabalho depois de anos dedicados exclusivamente ao cuidado e educação dos filhos; assistimos histórias de sacrifícios no dia a dia com sorrisos e demonstrações de carinho que ninguém imaginaria ser possível; vimos homenagens de filhos agradecendo pelas noites em claro, pelos chazinhos e cuidados nos dias difíceis;  pelo apoio nos estudos noite a dentro;  pelos abraços acolhedores; pelos almoços, lanches e jantares infalíveis; pelas roupas sempre cheirosas e por tantas vezes serem motoristas, cozinheiras, mediadoras de conflitos, professoras, médicas, massagistas, conselheiras, enfermeiras, amigas e Mães. Um vídeo em especial chamava a atenção por afirmar que ninguém em sã consciência escolheria essa vida, com essas características “desumanas”.

 

Lembro que numa noite, quando meu filho estava com 6 dias de vida, ele acordou pela quinta vez para mamar. Eu, com dores, muito sono, cansada e com medo se iria dar conta de tudo, levantei, fiquei com ele mais ou menos 40min mamando no seio, voltei para a cama e comecei a chorar. Meu marido preocupado me amparou e perguntou o que estava acontecendo e rapidamente eu respondi que pela primeira vez na vida eu não tinha escolha. Que agora que tinha virado mãe eu não tinha mais escolha sobre meu sono e nem sobre nada.

Estava me sentindo a maior vítima do planeta Terra. Totalmente rendida.  Mas para minha surpresa e descontentamento (por que eu só queria que ele concordasse comigo e validasse todo meu sofrimento) ele me disse:

 

- Você tem escolha!

 

Aquela resposta chegou até mim com muito impacto, mas ele tinha razão. Eu poderia escolher outras opções que pudessem substituir minhas “acordadas” noturnas. Podia chamar minha mãe para dormir lá em casa com meu bebê e dar mamadeira quando ele acordasse; podia pedir para meu marido ir atendê-lo com a mesma mamadeira e não precisar ser sempre EU a levantar nas madrugadas frias, e tantas outras ideias que poderiam surgir para substituir aquela versão que me parecia tão trágica.  

 

Sim, eu tinha escolha. Independente de qualquer julgamento sobre essas opções, elas existiam.

 

Quando aquele vídeo de homenagem às mães afirma que ninguém em sã consciência escolheria essas atividades e essa “vida”, eu discordo.Nós escolhemos ser a mãe que somos. Consciente ou inconscientemente.

 

Nós escolhemos como vamos lidar com os desafios que a maternidade nos traz. 

Vamos parar de trabalhar? Vamos voltar depois da licença maternidade? Vamos chamar alguém para ajudar? Fazer as pazes com nossa própria mãe para pedir o apoio dela? Vamos fortalecer nossa rede de apoio? Ler sobre a maternidade? Trocar experiências com outras mães? Vamos ser mais rígidas? Mais amorosas? Envolver verdadeiramente o marido nos cuidados com o bebê? Vamos ficar com ele no colo? Vamos empreender? Mudar de cidade? Vamos nos dedicar exclusivamente ao filho?

São tantas escolhas que na maioria das vezes estamos inconscientes. E por isso acreditamos que não as temos.

Estar consciente e assumir a responsabilidade por essas escolhas é o grande desafio. Olhar para o mundo das possibilidades. Ampliar a visão sobre as opções possíveis. Sair da zona de conforto.

 

Conheço historias de mães que largaram empregos com salários consideráveis para empreenderem, poderem ficar mais tempo com os filhos e ainda fazer algo que realmente tinha a ver com seu propósito. Outra que mesmo contrariando a opinião de todos que diziam que ela não daria conta, continuou no cargo de coordenadora de uma grande empresa e passou a fazer 3 turnos (2 no trabalho e um em casa) para se dedicar da forma que imaginada ser ideal ao filho amado.  E ainda outra que largou sua vida profissional por tempo indeterminado para ficar com os filhos, entrando em acordo com o marido sobre tudo o que eles abriram mão para conseguir viver com o salário de apenas 1 do casal. E assim como elas, muitas outras mães olham para a maternidade como este convite para sair da zona de conforto e não só com relação a vida profissional. Escolhas. É disso que se trata a vida.

 

 

Depois daquela madrugada da conversa impactante com meu marido, eu continuei acordando durante as noites, continuei cansada, com dores e medo, mas como protagonista. Certa de que essa escolha é a que fazia mais sentido para mim. Que passava por os meus critérios de "certos e errados" daquele momento.

 

Quais opções existem diante de cada desafio? Será que eu realmente conheço todas elas? Quais as consequências de cada caminho a ser percorrido? Do que eu estou disposta a abrir mão? Do que eu não estou disposta a abrir mão? O que eu busco como resultado?

 

Podemos ser protagonistas de nossa própria vida e assumir com total consciência os resultados das escolhas que fazemos, assumindo que escolhemos ser a mãe que somos. E tudo bem!

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