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As 5 fases que os gestores precisam passar

Por Thiago Baise

Quais são os ciclos de vida de uma organização? Esta é a pergunta que este texto busca responder. E as respostas não vem em um manual, mas num mapa que pode ajudar os empreendedores e gestores a reconhecerem os desafios que vivem ou estão por vir em sua jornada de líder. Este mapa está dividido em 5 fases, igual a um game, onde a caminhada é única, e avançar de fase é o objetivo. Ao longo deste caminho, vamos observar como lidar com 4 principais aspectos: o propósito organizacional, as relações com colaboradores, clientes e fornecedores, os processos e os recursos do negócio. Um jogo onde clientes, equipes e resultados indicam como estamos avançando.

 

Fase 1 - Chamado para empreender

São as boas ideias que fazem nascer as organizações. E o caminho da boa ideia para virar empreendimento requer: (1) atender uma necessidade real no mundo, (2) fazer sentido para o empreendedor e (3) coragem do empreendedor em assumir um risco para colocar seu impulso no mundo.

A pergunta nesta fase é: o que faz as organizações viverem? Se nascem de boas ideias, o que faz frutificar são as possibilidades percebidas de futuro. E a figura central nesta fase é do empreendedor que trabalha a ideia para amadurece-la. Mesmo sem um produto ou serviço para vender, no começo do negócio existe algo importante acontecendo: muito falatório e bastante testes para comprovar hipóteses e encontrar o diferencial. O empreendedor está firmando compromisso, ele está “vendendo sua ideia de um futuro brilhante” e entendendo o que o mundo quer comprar. Ele se prepara conversando com as pessoas sobre a ideia e cria versões mais simples de seu produto/serviço para iniciar o processo de aprendizagem.  Estamos no início da jornada empreendedora, onde o importante é acreditar no sonho, aceitar o chamado que convida para uma grande história que está por vir e colocar para testar hipóteses fundamentais do negócio. O indicador para entrar nesta jornada e passar de fase é sentir coragem e fazer coisas que levem para a prática suas ideias.   

 

Fase 2 – O risco do pioneiro

Vontade e teste são importantes para colocar o impulso em movimento, mas a ideia só vai virar produto ou serviço de verdade se o empreendedor assumir o compromisso, isto é, quando um risco for assumido por ele. Uma nova organização precisa que alguém assuma um risco de forma substancial: sair do emprego, colocar dinheiro do bolso, trabalhar e estudar bastante. Alguém disposto a não dormir de noite depois que ela nascer, como uma mãe que cuida, nutre e protege um recém-nascido.

 

A pergunta desta fase é: o que faz uma organização virar realidade? Te respondo com três principais aspetos: Primeiro, a força do pioneiro. Pode ser um, dois ou mais sócios, ter pessoas dispostas a trabalhar de segunda a segunda é o primeiro aspecto para fazer a organização virar realidade. O segundo aspecto é financeiro, não é ideal que o empreendedor dependa de um retorno financeiro imediato, por isto é fundamental que o negócio esteja atrelado a investimento (pessoal ou de terceiros), para não sufocar o empreendedor nas escolhas que terá que fazer no início. E o terceiro é manter o olho atento as necessidades do mundo, validando na prática sua solução com o público alvo.

Risco, investimento e validação, este tripé bem vivido é o caminho desta fase. O trabalho aqui é colocar o produto/serviço no mundo, escutando feedbacks e ajustando. Ter um mentor, fazer benchmarking, também ajudam bastante, o importante é deixar o produto ou serviço em sua melhor versão possível para o uso das pessoas. Por isto, além da força para manter o entusiasmo, é preciso desprendimento das ideias iniciais para encontrar o melhor formato para o momento. O que vale é saber o porquê sua organização existe, e ir encontrando o como fazer, fazendo.   

 

É assim, com muito trabalho, foco nos resultados e abertura para mudanças e aprendizados que o pioneiro faz a gestão de seu empreendimento. O resultado desta fase é encontrar o seu diferencial e começar a receber mais demandas por sua solução, ou seja, os clientes começarem a perceber o que seu produto/serviço agrega para ele. Viver intensamente o propósito da organização e conquistar novos clientes é o patamar que alcançado dá ao pioneiro condições para evoluir à próxima fase.

 

Fase 3 – Estruturação da equipe

Viver a fase 1 e 2 é como estar em família, as pessoas se juntam, cofiam uns nos outros. Quem trabalha, além dos sócios, são pessoas próximas, amigos dos amigos, ou pessoas que aparecem na hora certa. Não existe um processo de contratação formal. O importante é conquistar confiança, acreditar no pioneiro e trabalhar.

 

Com o empreendedor focado em viabilizar o negócio, trabalho é o que não falta, todos fazem de tudo um pouco para o impulso dar certo. Os processos ainda não são tão definidos, tudo acontece de forma mais intuitiva, não existem muitos controles, o objetivo é atender bem os clientes que nesta fase começam a aparecer e demandar mais de todos os envolvidos, inclusive a contratação de mais pessoas. Neste cenário a pergunta que surge é: como profissionalizar a gestão? E isto passa por organizar melhor os processos, definir organograma, departamentos, hierarquia, cargos, funções, objetivos e metas das pessoas. Este desafio requer que o pioneiro assuma um novo papel na empresa: sair da dedicação Full-Time na operação (atendimento, prestação de serviço, produção) e se colocar numa posição mais estratégica frente ao negócio. Se não tiver perfil ou interesse para isto, é necessário contratar um executivo. A organização precisa de um CEO - Chief Executive Officer ou Diretor Executivo em Português. CEO é a pessoa com maior autoridade na organização, é o responsável por fomentar a criação de estratégias e visão da empresa, como um maestro tirando o melhor de seus músicos. É o momento onde a força do empreendedor deve ser transformada para um novo papel que constrói acordos, cobra, incentiva, cria, defini e apoia o desenvolvimento das pessoas. Se a empresa depender da mesma qualidade que a fez ir para o mundo, ela ficará dependente desta pessoa até a transformação ocorrer. É o grande desafio desta fase, o empreendedor lidar com o desapego do dia a dia e se tornar um CEO de verdade.

 

Se conseguir fazer isto, delegando tarefas, construindo acordos, criando momentos de aprendizagem e cobranças, investindo em sistemas e estruturas, o CEO conseguirá tirar o peso das costas, atribuindo a mais pessoas a responsabilidade pelo sucesso da empresa. Nesta fase, se constroem equipes com pessoas que sabem o que estão fazendo, se contrata pelo perfil da vaga, existem processos de controle dos resultados e reuniões que garantem um controle operacional, criando corresponsabilidade em todos os envolvidos. E este é o papel do CEO, garantir que esta roda esteja girando. Ferramentas e estratégias são as grandes chaves para o sucesso desta fase, onde o indicador são os fluxos bem definidos, rentabilidade e pessoas qualificadas atuando rumo a próxima fase.

 

Fase 4 – Integrando o propósito

Estruturar é preciso! E o resultado final da estrutura é conseguir entender os resultados da organização, dividir tarefas e criar processos capazes de fazer ganhar escala nos locais que o produto e serviço podem chegar.

 

Mas se a vida fosse somente um caminho, fosse feita só de processos, talvez a vida de CEO seria mais fácil. Numa equipe, fazemos mais coisas do que organizar processos, identificar desafios e deliberar. As pessoas numa organização têm necessidades, vontades, habilidades, qualidades, experiências e interesses diferentes. O encontro diário de pessoas acaba gerando modos de se relacionar e tomar decisões, formando uma cultura dentro da organização. Por isto, além de cuidar dos aspectos técnicos, cabe ao CEO perceber as sutilezas existentes nas relações nas equipes.

 

Estamos em todo momento lidando com conflitos, com maus entendidos, com necessidades de novos acordos, com vontades de ajudar, com preguiça, com mudanças de planos. São diversas variáveis e influências subjetivas, num âmbito mais qualitativo da organização.  A pergunta desta fase é: como qualificar as relações em prol do propósito da organização? E o papel do CEO é criar espaço para conversas, acordos, aprendizados, avaliações, feedbacks, celebrações e inovações. Oportunizar que estas relações estejam com foco nas pessoas, nos clientes e no propósito da empresa.  

 

O convite desta fase é investir na qualificação das pessoas com foco em trabalho por significado, ou seja, ligar os objetivos pessoais a algo maior, a visão e o propósito da organização. E isto se faz por meio do desenvolvimento comportamental dos envolvidos: qualificar a escuta do que clientes e colegas dizem, manter alta performance da produtividade diária, usar criatividade, ter coragem para inovar, ser responsável no cumprimento dos acordos que garantem o sucesso do negócio e ter claro um plano de desenvolvimento individual.

O indicador desta fase é ter uma equipe alinhada com o propósito organizacional, que as pessoas que decidem entrar ou ficar atuem para atender o porquê existe a organização. Esta é a tarefa do CEO, manter um ciclo virtuoso onde as pessoas percebam o que podem melhorar (nelas, nos outros e na organização), entendam e atendam às necessidades dos clientes, desejem um futuro possível, criem soluções e celebrem. 

 

Harmonia total talvez seja utopia, sempre existirá desafios, mas viver no dia a dia da organização este ciclo é possível e claro de se perceber pela agilidade no atendimento as demandas que colaboradores, clientes, parceiros e a cidade possam solicitar.  

 

FASE 5 - Preparando a transição
Construir um ciclo virtuoso é o desafio de todos os CEOs. Rentabilidade, agilidade, adaptação, aprendizado, desenvolvimento e prontidão são aspectos que vividos na cultura organizacional mantem as pessoas, os produtos, as tecnologias e os processos em constante atualização e inovação.  Chegar neste cenário requer trabalho árduo, desprendimento e coragem em assumir novas posições. Ao longo desta trajetória, são inúmeras influencias que vão fazer com que passos para trás sejam dados: crise no setor, no pais ou no mundo. Entrada de novos colaboradores, saídas de pessoas chave, conflitos internos, mudanças de expectativas, mudanças de tecnologias ou de necessidades do mundo. Como passar por estas fases não é algo tão linear, ter uma visão de longevidade é primordial. E a pergunta que ajuda a cuidar das transições é: Como preparar sucessores para o meu negócio?

 

Parece que essa transição é natural ou simples como mudar a mesa de lugar. De fato, pode acontecer de qualquer forma, sai um, entra outro. O ponto central é sobre qual o impacto que esta sucessão causará no sucessor, sucedido e na organização. Se a questão é como fazer uma sucessão que signifique sequência, continuidade, respeito e crescimento das pessoas e organização, tratar o tema com cuidado e consciência das ações é fundamental.

 

No fundo, quando tratamos de sucessão estamos lidando em desenvolvimento, em contínua evolução, uma ótima oportunidade para gestores, equipes e organização como um todo reavaliarem seus desafios, responsabilidades e abrir espaço para criar o novo. E isto pode acontecer em qualquer uma das fases anteriores.

 

Neste processo, seguir algumas etapas podem ajudar bastante: Entender o momento atual da organização e do gestor; Perceber os desafios que a organização tem pela frente; Identificar perfil necessário do sucessor;  Mapear quem são os possíveis sucessores;  Escolher o sucessor, apoia-lo na nova função e no desenvolvimento de novas habilidades.

 

“Zerando” o jogo

Como no game, passar pelas cinco fases é como “zerar” o jogo. Só que no mundo organizacional o “zerar” o jogo é deixar um legado para o mundo. Um produto e serviço que atende uma necessidade real, que se consolidou, mexeu com a vida de clientes, fornecedores e colaboradores, está em constante transformação e aberto para os desafios que virão. Sobretudo é um jogo que transforma a organização e o jogador. Cuidar destas fases faz com que o empreendedor e o CEO saiam modificados no final, ninguém fica ileso de mudanças num processo real, em uma experiência tão forte de vida. Que a consciência destas fases te ajude a fazer boas escolhas! Vamos jogar?